Monthly Archives - março 2021

Para aprender bem é preciso enxergar bem!

Quando os filhos começam a demonstrar uma falta de interesse pela escola, atrasam algumas tarefas, entregam notas abaixo do esperado e não conseguem fixar os conteúdos na memória, muitos pais tendem a tratar o caso como uma questão meramente “comportamental”. Não podemos excluir essa possibilidade, é claro, mas também é necessário ficar de olho em alguns detalhes mais sutis.

Estima-se que 80% do processo de aprendizado de uma criança seja construído pelas informações visuais que ela recebe e assimila. Por isso, a força de vontade na hora de estudar é muito importante, mas os pequenos também precisam enxergar bem para se doar completamente ao ensino. O problema é que, nessa etapa da vida, podem surgir algumas dificuldades visuais que têm grande influência sobre a concentração, memória e socialização.

Se você tem uma criança em casa que está em fase escolar, tente se colocar no lugar dela por alguns instantes. Imagine-se sentado(a) numa cadeira da escola, ainda pequeno, e diante da necessidade de ler algum texto escrito no quadro a pedido da professora. É bem provável que uma visão embaçada atrapalhe a leitura e te exponha a uma situação desagradável frente à sala. Você não ficaria com vergonha dos colegas? Não seria desconfortável voltar à escola depois de alguns episódios como esse?

Agora, um segundo cenário para estimular a reflexão. Você está sentado na sua mesa com um livro. Espera-se que uma visão turva atrapalhe a compreensão, confunda algumas palavras e até mesmo lhe obrigue a ler bem devagar. Esse ritmo alterado e essa “confusão” não poderiam, de alguma forma, dificultar a interpretação do texto e a fixação da mensagem que ele transmite? Como fica a memória depois de alguns dias? E na hora de testar tudo isso em uma prova?

Essas duas hipóteses ilustram bem o dia a dia das crianças que convivem com dois dos problemas mais comuns na fase escolar: a miopia e a hipermetropia, ou seja, a dificuldade de enxergar de longe e de perto, respectivamente. Esses quadros acontecem em função de uma anormalidade na córnea, uma importante estrutura do nosso olho, e ambos podem ser corrigidos com o simples uso de óculos ou lentes de contato.

Para concluir o raciocínio, vamos inserir mais um fator relevante: a dificuldade de se comunicar. Muitas crianças não conseguem verbalizar tão bem os desafios que têm enfrentado no dia a dia, não sabem explicar o que sentem, não têm facilidade para identificar que há um problema nos olhos e, com isso, se sentem culpadas, envergonhadas e se afastam dos pais. Dessa forma, fica ainda mais difícil diagnosticar a causa-raiz.

Como reconhecer, então, que pode existir uma questão ocular por trás do mau rendimento na escola?

Esteja perto das crianças ao longo do aprendizado, coloque-se como um ponto de apoio e fique atento(a) se elas apresentam:

– Dor de cabeça frequente ou cansaço visual;
– Dor no fundo do olho;
– Olhos vermelhos ou coceira intensa;
– Queixas de visão dupla ou embaçada;
– Desvios oculares;
– Perda de interesse pela leitura;
– Dificuldade para fixar a atenção nas atividades visuais;
– Necessidade de inclinar a cabeça, fechar um olho ou franzir a testa para enxergar melhor;
– Leitura muito lenta ou até mesmo muito rápida;
– Aproximação ou afastamento exagerado dos objetos em relação ao olho;
– Dificuldade para lembrar conceitos básicos, letras, números e formas;
– Confusão constante entre palavras semelhantes;
– Má coordenação entre o olho e a mão;
– Troca das cores e dificuldade para definir formas.

A presença dos sinais acima são importantes indícios de que a saúde ocular não vai bem e precisa ser cuidada com carinho. Como o olho infantil amadurece até os 8 anos, diversos problemas de visão que surgem nessa fase precisam ser tratados com rapidez para evitar qualquer tipo de complicação no futuro.

Na hora de planejar o início do ano letivo, lembre-se de incluir um check-up ocular na “lista de materiais”. Os exames entram naquela parte indispensável, assim como o lápis e o caderno – não dá para viver sem.

Caso tenha alguma dúvida e queira agendar o check-up do seu filho conosco, nossos oftalmologistas estão à disposição.

Fontes:

AllAboutVision.com. Disponível em:
https://www.allaboutvision.com/parents/learning.htm

Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Revista Veja Bem. Disponível em:
https://www.vejabem.org/uploads/arquivos/1593187504-5.PDF

 

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Precisamos falar sobre tratamento a laser para o glaucoma

Por trás do simples gesto de “abrir os olhos” e enxergar o mundo existe um processo bem conectado e muito interessante.

Podemos dizer que os nossos olhos são como uma câmera fotográfica da mais alta qualidade. A córnea, o cristalino e a pupila fazem o trabalho de uma lente responsável por captar a luz e enviá-la para a retina. Esse tecido, por outro lado, se assemelha ao filme fotográfico e é encarregado de gravá-la e transformá-la em impulsos nervosos que serão posteriormente enviados ao cérebro através do nervo óptico.

Sobre esse último, vale a pena falar um pouco mais, já que ele é crucial para o assunto deste artigo.

Trata-se de uma estrutura muito delicada que precisa da nossa atenção, já que está sujeita a doenças, inflamações e problemas hereditários. Se não estiver saudável, o nervo óptico pode comprometer a nitidez da nossa visão e atrapalhar diversas atividades do cotidiano.

O QUE É O GLAUCOMA?

Essa é uma das principais doenças oculares que atingem o nervo óptico, podendo ser definida como uma lesão progressiva que leva à perda do campo visual e cegueira irreversível.

Na maioria dos casos esse dano ao nervo óptico é causado por uma alta pressão intraocular, mas há também as manifestações congênitas e motivadas por traumas e complicações cirúrgicas.

Nos quadros mais comuns, o início do glaucoma é praticamente imperceptível. Durante um bom tempo, o olho não dói, não coça, não arde e não gera qualquer tipo de incômodo. Os sinais, muitas vezes, só aparecem nos estágios avançados, quando já existe alguma perda irreversível da visão.

COMO FUNCIONA O TRATAMENTO A LASER?

É preciso ressaltar que o glaucoma não tem cura, mas há diversos tratamentos capazes de impedir a progressão da
doença e diminuir drasticamente as chances de cegueira.

Entre os procedimentos a laser indicados para a doença está a TRABECULOPLASTIA, uma técnica que consiste em drenar parte do gel que preenche o nosso olho para reduzir a pressão interna e ajudar a “aliviar” o nervo óptico.

Separamos as quatro perguntas mais comuns sobre esse tratamento:

PARA QUEM A TRABECULOPLASTIA É INDICADA?

Geralmente, para os casos de glaucoma de ângulo aberto, o tipo mais comum da doença e que está diretamente ligado à pressão intraocular. Tudo vai depender, é claro, de uma avaliação criteriosa do oftalmologista.

COMO O PROCEDIMENTO É FEITO?

No próprio consultório médico, o oftalmologista aplica um colírio anestésico no olho para diminuir qualquer desconforto. Na sequência, o paciente fica de frente para o equipamento e, durante pouco tempo, recebe um feixe de luz (laser) diretamente na região a ser tratada.

Se o médico julgar adequado, é possível tratar os dois olhos no mesmo dia.

A TRABECULOPLASTIA DÓI?

Em função do anestésico, os incômodos são bem atenuados.

Durante a aplicação do laser os pacientes podem enxergar flashes de luz verde e vermelha. Após, alguns se queixam de pequeno inchaço e sintomas de olho seco, efeitos que podem ser facilmente administrados.

QUAL O TEMPO DE RECUPERAÇÃO?

Como a visão pode ficar embaçada logo após o procedimento, é ideal que seja feito repouso de algumas horas. Entretanto, a maioria dos pacientes pode retomar suas atividades cotidianas já no dia seguinte, sem qualquer tipo de prejuízo.

A principal lição que você precisa absorver sobre todo esse assunto é que as consultas oftalmológicas de rotina são essenciais para o bem da sua visão. Quanto antes você detectar o glaucoma, melhor será a resposta ao tratamento e menores serão os efeitos sobre a sua qualidade de vida.

Caso tenha alguma dúvida e queira agendar o seu check-up anual, nosso corpo clínico está à sua disposição. O IOSG fica na Av. Vasconcelos Costa, nº 962, no bairro Martins em Uberlândia-MG, e você pode marcar o horário com um especialista pelo telefone (34) 3214-3033.

Fontes:

National Eye Institute. https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/glaucoma/treatment#:~:text=Laser%20treatment%20or%20trabeculoplasty%20(tra,the%20pressure%20inside%20your%20eye.

Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Revista Veja Bem. Ed. 13. Ano 05. 2017.

https://cbo.net.br/2020/admin/docs_upload/Revista_vejabem_13.pdf

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Como a dieta pode retardar a DMRI

A DMRI, sigla para Degeneração Macular Relacionada à Idade, é uma doença responsável por 8,7% de todos os casos de cegueira no mundo, o que corresponde a aproximadamente 3 milhões de pessoas.

De acordo com a Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), órgão detentor dos dados acima, a DMRI é um problema multifatorial que afeta as estruturas da mácula, região central da retina encarregada de captar as cores e detalhes, e que pode ser dividida em dois tipos:

– FORMA SECA OU NÃO-EXSUDATIVA: corresponde a quase 90% dos casos e apresenta complicações mais lentas. Nesse quadro, ocorrem alterações pigmentares, atrofia das células fotorreceptoras da retina e formação de pequenos cristais de proteínas no fundo do olho.

– FORMA ÚMIDA OU EXSUDATIVA: é a manifestação menos comum, porém mais grave. Ela é caracterizada pela formação de novos vasos sanguíneos frágeis e anormais abaixo da retina, que podem se romper, sangrar e acelerar a perda da visão central. Quando a DMRI chega a essa fase, são cada vez maiores as chances do paciente desenvolvê-la também no outro olho.

O principal sintoma da Degeneração Macular é a diminuição da visão central, quando o paciente começa a perceber uma mancha escura que prejudica seu foco nas diversas atividades do dia a dia. Em pouco tempo, na ausência de tratamento, pode também notar imagens distorcidas e borradas.

QUAIS AS CAUSAS?

A DMRI é um problema multifatorial relacionado principalmente ao envelhecimento natural e à genética. São fatores de risco para seu surgimento e complicação:

– Histórico familiar;
– Tabagismo;
– Hipertensão;
– Colesterol elevado;
– Obesidade;
– Dieta rica em gordura;
– Exposição excessiva ao sol sem proteção.

QUAL O PAPEL DA ALIMENTAÇÃO?

Um estudo americano publicado recentemente dedicou-se a avaliar a relação entre os padrões alimentares e o desenvolvimento da Degeneração Macular. No grupo de pessoas analisadas, eles notaram uma incidência de DMRI três vezes maior entre os que mantinham uma dieta ocidental, rica em carnes vermelhas, laticínios, gorduras e poucos alimentos naturais.

Por outro lado, a manutenção de uma dieta equilibrada de padrão oriental pode fortalecer o sistema imunológico, reduzir o estresse oxidativo causado pelos radicais livres e diminuir os riscos de surgimento da doença.

Com esse cenário em vista, é recomendado investir em:

– Peixes (atum, sardinha, salmão, bacalhau) e frutos do mar, ricos em Ômega 3 e vitaminas.
– Frutas, verduras e legumes amarelos, laranjas, vermelhos e verde escuros, todos ricos em carotenoides, flavonoides e vitaminas.
– Gorduras limpas e saudáveis, como o azeite extra virgem, abacate, óleo de coco, nozes e sementes.
– Ovos, alimento com bastante luteína e zeaxantina.

CUIDE DOS SEUS OLHOS

Em uma sociedade cada vez mais longeva e independente, enxergar bem é determinante para a qualidade de vida, bem-estar físico e saúde mental.

Além da alimentação equilibrada, é importante manter bons hábitos de vida e consultar um oftalmologista regularmente, visto que muitas doenças são percebidas apenas em fases avançadas que dificultam o tratamento.

Caso tenha alguma dúvida, nosso corpo clínico está à sua disposição. Temos especialistas e estrutura de ponta para te auxiliar em todas as fases da vida. Agende sua consulta pelo telefone (34) 3214-3033.

Fontes:

Dighe S, et al. Diet patterns and the incidence of age-related macular degeneration in the Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) study. doi:10.1136/bjophthalmol-2019-314813.

Conselho Brasileiro de Oftalmologia. As condições de Saúde Ocular no Brasil 2019. Disponível em: https://www.cbo.com.br/novo/publicacoes/condicoes_saude_ocular_brasil2019.pdf

Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Degeneração Macular. Disponível em: http://www.cbo.com.br/novo/publicacoes/folder_degenera%C3%A7aomacular_leitura.pdf

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Estresse causa retinopatia?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 90% da população mundial sofre com o estresse, sendo que o Brasil é o 2º colocado no ranking de países com os maiores níveis.

A lista de efeitos que o estresse tem no corpo é grande. Muita gente se lembra da irritação, suor excessivo, dor de cabeça, cansaço físico, batimentos acelerados e perda de concentração, mas nem todo mundo se atenta ao fato de que os riscos a longo prazo são sérios, inclusive para os olhos.

Um dos problemas oculares mais comuns causados por esse quadro é a Corioretinopatia Serosa Central, conhecida por vazamentos de líquido da coroide e consequente descolamento de retina. O paciente acometido pela doença tem visão central borrada e enxerga a imagem de forma distorcida.

É preciso ressaltar, ainda, que há outro tipo de estresse ameaçador: o oxidativo. De modo geral, ele é o estado que o nosso corpo fica quando a quantidade de moléculas antioxidantes disponíveis não é suficiente para compensar os efeitos nocivos dos radicais livres produzidos naturalmente pelas nossas células.

Os antioxidantes são vitaminas, minerais e outras substâncias adquiridas com uma boa alimentação e estimuladas através do sono e exercício físico. Quando adotamos maus hábitos, aumentamos as chances de viver sob esse estresse oxidativo e de expor o nosso corpo ao envelhecimento precoce, problemas de pele, Alzheimer e outras doenças.

Segundo um estudo inglês publicado no National Center for Biotechnology Information (NCBI), há evidências científicas de que o estresse oxidativo contribui para a progressão da Retinopatia Diabética, um enfraquecimento dos vasos sanguíneos da retina decorrente do excesso de açúcar no corpo. De acordo com os pesquisadores, os radicais livres contribuem para a formação de novos vasos que já nascem muito frágeis e suscetíveis a rompimentos que encobrem o campo de visão.

Para evitar todos esses problemas não há segredo: é preciso qualidade de vida. Invista em uma boa rotina de exercícios físicos, alimente-se de maneira adequada, principalmente com frutas, legumes e verduras, cuide do sono e busque equilíbrio emocional. Não é fácil lidar com o estresse e os desafios do dia a dia, e um apoio profissional nessas horas pode fazer a diferença. Respire, converse, medite e busque ajuda.

Caso tenha alguma dúvida sobre saúde ocular, os nossos oftalmologistas estão à sua disposição.

Fontes:

Calderon, G D et al. “Oxidative stress and diabetic retinopathy: development and treatment”. Eye (London, England) vol. 31,8 (2017): 1122-1130. doi:10.1038/eye.2017.64

MAIA JUNIOR, O. et al. Seguimento de portadores de coriorretinopatia serosa central por meio da tomografia de coerência óptica. Arq. Bras. Oftalmol.,  São Paulo ,  v. 69, n. 2, p. 165-169,  Apr.  2006

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